Vai voar de parapente pela primeira vez e bate aquela mistura de ansiedade e empolgação? Relaxe. Aqui você entende exatamente como funciona um voo duplo, do momento em que chega à rampa até o pouso suave — e sai daqui muito mais tranquilo para viver a experiência.

Antes de tudo: você não precisa de experiência

No voo duplo (tandem), você voa junto a um instrutor certificado, que cuida de todo o comando do parapente. Não é preciso preparo físico especial nem saber nada de voo — só vontade de viver a experiência. Toda a parte técnica, da leitura do vento à condução da vela, fica por conta de quem tem experiência de sobra: aqui, nosso instrutor voa há mais de 19 anos.

Na prática, o seu papel é simples: seguir três ou quatro comandos na hora certa e, no resto do tempo, apenas curtir a paisagem. Por isso o parapente duplo é uma das formas mais acessíveis de realizar o sonho de voar, sem curso, sem brevê e sem risco de "fazer algo errado" no ar.

Quem pode voar? Peso, idade e saúde

O voo duplo é bem abrangente, mas existem alguns pontos objetivos que vale conferir antes de agendar:

  • Peso: atendemos passageiros de 20 a 110 kg. A faixa é ampla justamente para receber desde crianças até adultos de porte maior com segurança.
  • Idade: não há uma idade máxima — já voaram conosco passageiros bem experientes na vida. Crianças e adolescentes podem voar acompanhados e autorizados pelos responsáveis.
  • Saúde: não é preciso ser atleta. Ainda assim, se você tem alguma condição de saúde, gestação, cirurgia recente, problema de coluna, cardíaco ou de mobilidade, avise a equipe antes do voo. Com essa informação, o instrutor orienta o melhor jeito de decolar e pousar para o seu caso.

Na dúvida sobre o seu perfil, é só mandar uma mensagem no WhatsApp (21) 97656-8366 antes de reservar. O voo duplo sai a partir de R$ 349, então vale alinhar tudo com antecedência para aproveitar o dia sem preocupação.

Passo 1: Chegada e recepção na rampa

Você é recebido na rampa do Parque da Cidade de Niterói. É o momento de conhecer a equipe, tirar dúvidas e já se encantar com a vista do mirante. Chegue com alguns minutos de folga: assim dá tempo de respirar, observar quem está voando na sua frente e entrar no clima com calma, sem correria.

Nessa hora o instrutor também acompanha as condições de vento. O parapente depende do tempo, e a segurança sempre vem antes do horário: se o vento não estiver bom, o voo é reagendado. Essa espera faz parte e é um bom sinal — mostra que ninguém sobe no ar por pressa.

Passo 2: Briefing de segurança

O instrutor explica de forma simples o que vai acontecer e o que você deve fazer. São basicamente três orientações:

  • Manter a postura ereta na decolagem
  • Caminhar/correr alguns passos quando ele mandar
  • Sentar na cadeirinha só depois que ele avisar

Parece pouco, e é mesmo. O briefing é curto de propósito: quanto mais direto, mais fácil de lembrar na hora. Aproveite esse momento para fazer todas as perguntas — desde "e se eu travar na decolagem?" até "posso levar o celular?". Não existe pergunta boba, e sair de dúvidas é o que mais ajuda a relaxar.

É normal sentir medo? Como lidar

Sim, é absolutamente normal. Aquele friozinho na barriga na beira da rampa acontece com quase todo mundo — inclusive com gente que adora adrenalina. O corpo simplesmente reage ao desconhecido. A boa notícia é que esse frio some poucos segundos depois de os pés deixarem o chão, quando a sensação passa a ser de leveza e silêncio.

Algumas coisas ajudam a lidar com o nervosismo:

  • Respire fundo e devagar nos instantes antes do comando. Respiração controlada acalma o corpo de verdade.
  • Confie no processo. Você está preso a um instrutor experiente e a um equipamento conferido item por item. Você não está sozinho em nenhum momento.
  • Não segure a respiração nem feche os olhos na decolagem. Olhar para o horizonte tira o foco do "abismo" e devolve a sensação de controle.
  • Fale sobre o medo. Diga ao instrutor como você está se sentindo. Ele sabe exatamente como conduzir passageiros mais tensos.

Medo e empolgação, no corpo, são quase a mesma coisa. Boa parte de quem chega tremendo desce querendo voar de novo.

Passo 3: Equipagem

Você veste a cadeirinha e o capacete. O instrutor confere cada fivela e conecta você ao equipamento com total atenção à segurança. É comum ele checar tudo mais de uma vez, e isso é ótimo: a redundância nas verificações é parte da rotina de qualquer voo bem feito.

A cadeirinha é confortável, parecida com uma poltrona suspensa. Depois de conectado, você continua em pé apenas até a decolagem; no ar, senta e relaxa. Se algo apertar ou incomodar, avise na hora — dá para ajustar antes de subir.

Passo 4: A decolagem

Chegou o grande momento. Com a vela inflada, o instrutor dá o comando e vocês dão alguns passos firmes. Em poucos segundos, seus pés deixam o chão — sem solavancos. É mais suave do que a maioria imagina. Não existe queda: a vela vai ganhando sustentação e simplesmente tira vocês do solo, como se o chão descesse devagar.

Dica: na decolagem, olhe para o horizonte, não para o chão. Isso ajuda a manter a postura e a curtir o instante em que você começa a voar.

O que NÃO fazer na decolagem

Se existe um momento em que seguir o instrutor faz toda a diferença, é a decolagem. Alguns deslizes comuns — e fáceis de evitar:

  • Não sente antes da hora. Sentar na cadeirinha cedo demais atrapalha a corrida e é o erro número um dos iniciantes. Só sente quando o instrutor avisar.
  • Não pare no meio dos passos. Se começou a caminhar, mantenha o ritmo até sair do chão. Frear no meio "mata" a decolagem.
  • Não olhe para baixo nem tente ver a vela por cima do ombro. Foco no horizonte.
  • Não segure nas tiras nem no instrutor. Deixe os braços livres, a menos que ele diga o contrário.
  • Não tente "ajudar" a controlar. O comando é todo dele; a sua parte é só a caminhada.

Passo 5: O voo panorâmico

Agora é só aproveitar. Durante 10 a 20 minutos você plana sobre Niterói, com vista para o Cristo Redentor, o Pão de Açúcar e a Baía de Guanabara. O instrutor pode fazer curvas mais suaves ou mais emocionantes — é só avisar o que você prefere. Se bater qualquer enjoo ou você quiser um voo mais calmo, também é só falar: dá para adaptar tudo ao seu conforto.

É no ar que a maioria entende por que tanta gente se apaixona pelo voo livre. Sem motor, o silêncio é surpreendente — dá para conversar em tom normal, ouvir o vento e simplesmente contemplar a cidade de um ângulo que pouca gente vê. Guarde alguns segundos só para olhar em volta sem o celular; essa memória fica.

Passo 6: O pouso

A aproximação é tranquila e o pouso, suave. O instrutor conduz tudo; você só precisa esticar as pernas para tocar o chão em pé, com delicadeza. Ele avisa com antecedência quando chegar a hora, então não há surpresa: é só estender as pernas à frente e deixar que ele faça a manobra final.

Na maioria dos casos você dá um ou dois passinhos ao tocar o solo e pronto. Sem impacto, sem susto — muita gente nem percebe que já pousou.

Dicas para o dia do voo

Alguns cuidados simples deixam a experiência ainda melhor:

  • Roupa e calçado: use roupa confortável e, principalmente, tênis fechado. Nada de chinelo ou sandália. Veja mais em o que vestir para voar de parapente.
  • Evite refeições muito pesadas pouco antes do voo, mas também não vá em jejum. Um lanche leve é o equilíbrio ideal.
  • Leve protetor solar, óculos e água. A rampa é ao ar livre e a espera pelas condições faz parte.
  • Chegue no horário combinado e conte com uma folga na agenda: o voo depende do vento e pode atrasar um pouco.
  • Prenda objetos soltos. Boné, óculos e celular precisam estar seguros — no ar não dá para recuperar o que cai.
  • Vá com a mente aberta. Ansiedade é normal; confie na equipe e permita-se aproveitar.

E depois do voo: fotos, vídeo e a sensação

Ao final, você recebe as fotos e o vídeo do voo, já inclusos. É a lembrança perfeita de um dos dias mais inesquecíveis da sua vida. Quer ver como fica? Assista a um voo em câmera 360°.

Mais do que o registro, o que costuma ficar é a sensação: aquela mistura de calma e euforia que só quem voou entende. É comum descer da rampa com um sorriso que não sai do rosto — e já pensando na próxima vez. Se esse for o seu caso, saiba que o mesmo instrutor oferece caminhos para quem quer ir além do voo duplo e aprender a voar sozinho um dia.